Kiko Dinucci fala e toca em programa gravado no estúdio do Centro Cultural da Juventude em parceria com Radiola Urbana.

Bloco 1:
1) “Roda de Sampa”
2) “João Carranca”
3) “Samba Manco”
4) “Padê Onã”
Bloco 2:
1) “Engasga Gato”
2) “Rainha das Cabeças”
3) “Mosquitinho de Velório”
Bloco 3:
1) “Partida em Arujá”
2) “Santa Bamba”
3) “Vias de Fato”
Locução: André Maleronka, Filipe Luna e Ramiro Zwetsch
Romulo Fróes fala e toca em programa gravado no estúdio do Centro Cultural da Juventude em parceria com o Radiola Urbana.

Bloco 1:
1) “Suíte”
2) “A Voz Mais Triste”
3) “Feito Um Estranho”
4) “Mulher Sem Alma”
Bloco 2:
1) “Pierrô Lunático”
2) “Caveira”
3) “Peraí”
4) “De Adão Pra Eva”
Bloco 3:
1) “Nada Disso É Pra Você Querer”
2) “Flor Vermelha”
3) “Vai”
Foto: Zé Gabriel Lindoso
Locução: Ramiro Zwetsch
Eis o último programa da série 10 anos sem Fela Kuti produzido pela equipe do Radiola Urbana que nos concedeu os direitos de publicar tal apanhado que envolve trabalho gráfico, mixtapes e texto sobre a vida deste extraordinário artista.
Texto por Alexandre Matias*
Áudio por Radiola Urbana
Imagem por Tchuna e Kboco
Fela Anikulapo Kuti é o equivalente africano de Che Guevara e Bob Marley ao mesmo tempo, gênio da raça, líder pacifista e voz do povo. Papa do afrobeat, trouxe os milenares ritmos africanos para a era elétrica, fundindo-os com a força bruta do jazz, funk e rhythm’n'blues. Com seu front musical, entrava em transes percussivos acompanhados de cavalgadas de baixos elétricos, guitarras em profusão, um coro feminino em primeiro plano e uma enxurrada de instrumentos de sopro, com o sax de Kuti em primeiríssimo plano. Com mais de uma centena de discos com sua participação (álbuns costumeiramente divididos em quatro blocos de quinze minutos, que tornavam-se horas ao vivo), Fela criou uma obra tão vasta quanto densa, de valor inestimável e de fácil aceitação. Mas como a África, Fela Kuti é deixado de lado da história mundial, como um gigante incompreensível, uma floresta fechada onde nenhum homem jamais esteve.
Puro preconceito. A obra do filho mais controverso da nação nigeriana não é apenas de fácil aceitação como perfila-se muito bem ao lado de senhores do ritmo como James Brown, George Clinton, Miles Davis, Afrika Bambaataa e o supracitado Marley – todos conduzindo seu público a um êxtase coletivo baseado na fusão de ritmo e eletricidade, sempre num redemoinho de instrumentos tocados de forma radical, ao extremo. Teclados, bateria, percussão, trombones, guitarras, backing vocals, bailarinas, trumpetistas, baixista, saxofonistas — todos seguindo o fluxo ininterrupto de som, uma avalanche sônica que corre com a força da correnteza de um rio. Como seus pares de pulso, Fela aproveitava a deixa do balanço para falar de política, sempre de forma abstrata e direta, como os discursos monossilábicos de Marley e de Brown.
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Eis o segundo programa dedicado a Fela Kuti em comemoração ao Dia da Consciência Negra. A Radiola Urbana nos concedeu re-publicar áudio, imagem e texto dedicado a este extraordinário artista Nigeriano. Leiam, escutem e vejam
Com a morte no bolso
Texto por Ramiro Zwetsch e Lígia Nogueira
Ilustração por Gra Mattar
Seleção Musical por DJ MZK
Tensão e tesão impregnam as notas musicais e biográficas de Fela Kuti. O transe alcançado na colisão de metais em brasas com guitarras minimalistas e a batida perfeita tirada do pulso sempre firme de seu parceiro Tony Allen tornou-se a trilha sonora de uma crítica sólida à podridão que freava (e ainda freia) o desenvolvimento na Nigéria. Poucos artistas levaram tão a sério a proposta de música de protesto. Cada disco, cada verso, cada acorde cutucava uma ferida específica em um sem-número de fraturas expostas sem disfarce por um sistema de governo autoritário. Pedra no sapato alheio, Fela foi pisoteado pelo regime ao longo de toda carreira. Tanto apanhou e resistiu que, em 1975, acrescentou ao seu nome a expressão Anikulapo – “aquele que guarda a morte no próprio bolso”.
Fela Anikulapo Kuti incomodava. Presidente da Nigéria militar entre 1976 e 79, Olusegun Obasanjo não aceitava tanta crítica e o choque entre as duas partes se arrastou por anos e culminou na tragédia de 18 de fevereiro de 1977. Naquele dia, aproximadamente mil soldados invadiram a residência de Fela – denominada República Kalakuta, um território declarado pelo músico como independente da ordem do resto do país – e tocaram, literalmente, o terror. Mulheres foram estupradas, porradas foram distribuídas sem distinção de sexo ou idade e a casa foi incendiada. Pior: a mãe de Fela foi empurrada de uma janela do primeiro andar e morreu meses depois por conseqüências da agressão. Pior ainda: Obasanjo voltou ao poder da Nigéria em 1999, na primeira eleição para presidente do país em 16 anos – e lá permanece até hoje.
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O Laboratório de Multimeios do CCJ recebe a produção do site Radiola Urbana em homenagem ao Nigeriano Fela Kuti. Re-publicamos o apanhado que conta com textos, imagens e áudio em comemoração ao 20 de novembro, dia da consciência Negra. Serão 3 matérias e três programas musicais com três diferentes Djs/colecionadores. Sirvam-se!
Afrobeat é compromisso
Texto por Ramiro Zwetsch
Desenho por MZK
Seleção musical por Thaira
Quem teve a sorte te assistir ao vivo, pirou. Foi o caso de Bootsy Colins – lendário baixista do funk, que acompanhou tanto James Brown quanto os grupos Parliament e Funkadelic (ambos liderados pelo lunático George Clinton). “Fela apareceu e quebrou tudo. Eu nunca tinha assistido ou sentido nada igual a aquele som, tá ligado? Foi incrível e eu acho que absorvi tudo que eu estava ouvindo e vendo. Eu simplesmente trouxe aquilo de volta comigo e se tornou uma parte de mim.”
Bootsy falava sobre o músico nigeriano Fela Ransome Kuti que, como bem descreveu, costumava causar estrago pelos palcos por que passava. O próprio James Brown também ficou impressionado quando’ o viu tocar (provavelmente, em alguma data perdida na década de 70). “Quando estivemos em Lagos, visitamos o clube de Fela Ransome Kuti. A banda dele tinha um ritmo forte. Acho que Clyde absorveu um pouco daquele som no seu jeito de tocar e Bootsy fez o mesmo”, escreveu, em sua autobiografia, referindo-se ao baixista e a Clyde Stubblefield, um dos bateristas que tocou por mais tempo com Brown.
As lembranças dos dois músicos – ambos figuras essenciais na concepção do funk norte-americano – ilustram uma das mais saudáveis trocas de referências que já brindaram a música, já que o próprio Fela Kuti não escondia a influência que o soul de James Brown exercera na sonoridade de sua primeira banda, The Koola Lobitos (formada em 1961 e rebatizada, oito anos depois, para Nigeria 70). O batera Tony Allen, fiel escudeiro de Fela, também guarda recordações do encontro com os JB’s. “Eles foram ao nosso concerto e o diretor musical de James Brown sentou-se bem ao meu lado. Enquanto ele observava o movimento dos meus pés, eu rachava o bico”, disse em entrevista à revista Wire. Tony Allen, porém, disse à Radiola que não conheceu James Brown pessoalmente. Leia a entrevista com o baterista.
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